UTIs pediátricas de Pernambuco operam no limite diante da alta de casos respiratórios

As UTIs pediátricas da rede estadual de saúde de Pernambuco estão operando no limite da capacidade em meio ao aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre crianças. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), a taxa de ocupação chegou a 100% nos leitos pediátricos e a 93% nas UTIs neonatais, cenário que coloca o estado em situação de alerta.

“Possuir 100% de ocupação significa que não tem mais vaga naquele recorte do momento. Mas, ao longo do dia, isso muda”, explica o secretário executivo de Gestão Estratégica e Coordenação Geral, Anderson Oliveira.

Segundo o gestor, a pressão assistencial se concentra principalmente na primeira macrorregião de saúde, que abrange a Região Metropolitana do Recife e parte da Zona da Mata. “Hoje, a predominância maior é nessa primeira macrorregião de saúde, perfazendo algo entre 85% e 90% das solicitações de UTI”, destaca.

A situação acompanha o aumento da circulação de vírus respiratórios em todo o estado. Esse cenário já era esperado dentro do plano de sazonalidade da Secretaria, mas chama atenção pela antecipação. “Este ano está antecipado. A circulação viral e o número de solicitações estão como se estivéssemos cerca de oito semanas à frente”, afirma Anderson.

Mesmo com a alta ocupação, o secretário pontua que não há uma unidade específica em colapso. “Ontem mesmo foi divulgada uma fila nossa com cerca de 58 crianças na fila de UTI. Hoje, essa fila está em 39, então ela já reduziu”, disse. Ele reforça o caráter dinâmico desses números”, diz.

Para enfrentar a demanda, o estado vem ampliando a rede desde o período do carnaval, como a abertura de 300 novos leitos de UTI desde então. “Hoje nós temos, no total, 554 leitos distribuídos em todo o estado de Pernambuco para o contingenciamento do Vírus Sincicial Respiratório (VSR)”, disse.

Novas aberturas continuam sendo feitas e o Hospital da Mulher do Agreste, em Caruaru, recebeu dez novos leitos de UTI neonatais. Apesar dos esforços, o secretário alerta para os limites do sistema. “Chega um momento em que a rede de saúde vai sufocar, ela vai superlotar, porque essa capacidade de abertura de leitos não é infinita”, disse.

A ocupação das enfermarias pediátricas também segue elevada, com 85% já em uso. O estado opera atualmente próximo do nível mais alto do plano de contingência. No estágio três, o qual Pernambuco se aproxima, pode ser decretada situação de emergência.

Teleinterconsulta auxilia atendimento

Como alternativa para enfrentar este período, a SES-PE adota a teleinterconsulta pediátrica, serviço remoto que conecta médicos da regulação estadual a profissionais de unidades de saúde de baixa e média complexidade.

A ferramenta permite a discussão de casos clínicos em tempo real, auxiliando no diagnóstico, no manejo e na definição do encaminhamento mais adequado para crianças, especialmente em quadros respiratórios graves.

A demanda pelo serviço cresce durante o período de sazonalidade. Nos momentos de maior pressão assistencial, a média mensal varia entre 500 e 800 teleinterconsultas. Em 2025, foram realizadas mais de 2.500 atendimentos ao longo desse período, número semelhante ao registrado em 2024, consolidando a estratégia como ferramenta importante de apoio à assistência pediátrica no estado.

Prevenção

Para conter o avanço das doenças respiratórias entre crianças, a pediatra Ana Carolina destaca que a vacinação é a medida mais eficaz nesse cenário.

Além da imunização, cuidados básicos que se tornaram mais conhecidos durante a pandemia seguem fundamentais. A médica orienta a adoção de medidas como a lavagem frequente das mãos e o uso de máscara por pessoas com sintomas gripais.

“Se está doente, é importante evitar contato com recém-nascidos e crianças pequenas, para que a transmissão viral não aconteça”, afirma a Ana Carolina. Também é recomendado evitar ambientes fechados e com grande circulação de pessoas, como shoppings.

Outro ponto importante é o isolamento domiciliar das crianças doentes. A orientação ajuda a reduzir tanto a propagação quanto o número de casos simultâneos.

Os bebês, especialmente os menores de seis meses, exigem atenção redobrada. Por ainda não terem completado o esquema vacinal e possuírem sistema imunológico imaturo, são mais vulneráveis a complicações. Nesses casos, a recomendação inclui evitar visitas de pessoas com sintomas gripais e reduzir a exposição a locais com aglomeração.

Outro cuidado importante é evitar a automedicação, especialmente com antibióticos. Segundo a especialista, esses medicamentos não são indicados para infecções virais e seu uso inadequado pode trazer riscos à saúde da criança.

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