Após garantir a reeleição no último domingo (4), o presidente chega ao seu quarto mandato em 2027. No centro das discussões do xadrez político do petista está a composição ministerial. De acordo com a análise do cientista político Fábio Chap, as próximas semanas serão decisivas para decifrar os rumos do Executivo nacional.
Ao Diario de Pernambuco, Chap salienta que o tom do novo mandato do petista dependerá de três eixos fundamentais: a relação com o Congresso Nacional, o desenho da Esplanada dos Ministérios e o frágil equilíbrio entre a responsabilidade fiscal e as promessas de campanha.
Para o especialista, os primeiros termômetros da articulação política do Planalto serão a postura do governo Lula sobre o comando do Congresso, logo, o apoio ou não à recondução de Davi Alcolumbre no Senado e de Hugo Mota na Câmara dos Deputados. Fábio menciona a possibilidade de o governo lançar uma candidatura própria para as Mesas Diretoras.
“Provavelmente o Lula vai estar priorizando a mobilização popular, o legado, a biografia dele e não uma mera governabilidade pontual. Inclusive, essa é a expectativa da ala mais à esquerda, que tanto se mobilizou para que o Lula fosse reeleito agora nesse segundo turno disputado.”
No entanto, a escolha por nomes tradicionais, conforme análise do especialista, revelaria que “Lula sabe que, se ele não tiver uma acomodação partidária ali, ele pode dificultar ainda mais a governabilidade no Lula 4 em relação ao mandato anterior”.
Na análise de Alex Ribeiro, também cientista político, a composição do alto escalão deverá ser pautada na necessidade de construir uma sustentação política sólida. “Será necessário administrar os interesses de diferentes partidos que integram sua base. A expectativa é de uma renovação parcial do ministério, preservando nomes de confiança e incorporando lideranças capazes de facilitar o diálogo com o Congresso”.
O xadrez ministerial
Para Ribeiro, a disputa ministerial deve ocorrer nas áreas responsáveis pela articulação política, condução econômica e coordenação administrativa. “A Casa Civil terá papel importante na organização das ações do governo, enquanto a Fazenda continuará no centro das decisões econômicas. Relações institucionais serão essenciais nas negociações parlamentares. Já a Comunicação ganhará destaque pela necessidade de ampliar a presença do governo no debate público, como nas plataformas digitais”.
Já de acordo com Fábio Chap, o Ministério da Casa Civil desponta como o grande impulsionador para a sucessão presidencial de 2030. Para a pasta, segundo Chap, o nome de Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, aparece como o mais cotado e, como isso, “seria preparado para a sucessão presidencial”.
Sobre o ex-ministro da Educação, Alex destaca que a escola indicaria a valorização de “um perfil com experiência de gestão e capacidade de negociação”.
Outro nome é ventilado nos bastidores, é de Rafael Fonteles (PT-PI). Contudo, Fábio pondera: “Seria até estranho um governador recém-eleito abdicar do cargo para compor a equipe ministerial, o que não seria bem visto pela população do Piauí”.
Em contraponto, Alex Ribeiro aponta que Fonteles poderia representar uma “orientação econômica voltada ao desenvolvimento e ao equilíbrio das contas públicas.”
Fonte: Diário de Pernambuco

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