Um dia após a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir em alegações finais a condenação de todos os réus do “núcleo crucial” da trama de golpe, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de liderar o grupo, afirmou que não pensa em deixar o Brasil para evitar uma possível prisão. Segundo ele, isso não seria viável em razão de sua idade avançada e dos problemas de saúde que tem enfrentado.
“Estou com 70 anos, cheio de problemas de saúde. Como eu vou para outro país?”, disse Bolsonaro em entrevista ao site Poder360, ao ser questionado sobre a possibilidade de sair do País. Em abril, o ex-presidente passou pela sétima cirurgia em decorrência da facada que levou em 2018, em Minas Gerais, durante a campanha eleitoral.
Indagado se considera a hipótese de ser preso, Bolsonaro respondeu que “tudo pode acontecer”. E voltou a afirmar que, “solto ou preso”, é “um problema”, e que não querem prendê-lo, mas “eliminá-lo”.
Nesta segunda, 14, quando terminou o prazo para a Procuradoria apresentar as alegações finais na ação penal do golpe, o ex-presidente já havia afirmado que “o sistema” quer “destruí-lo”. “O sistema nunca quis apenas me tirar do caminho. A verdade é mais dura: querem me destruir por completo – eliminar fisicamente, como já tentaram – para que possam, enfim, alcançar você. O cidadão comum. A sua liberdade. A sua fé. A sua família. A sua forma de pensar. Sem que reste qualquer possibilidade de reação”, escreveu ele em seu perfil na rede social X.
Bolsonaro comparou a denúncia oferecida pela PGR a uma acusação de matar “um marciano”, repetiu mais de uma vez que estava nos Estados Unidos no 8 de Janeiro e negou ter tentado dar um golpe de Estado.
“Não teve armas. Se pegar as polícias legislativas da Câmara e Senado, nenhuma arma foi apreendida. É uma denúncia que fica difícil de se defender. É quase você se defender, por exemplo, de ter matado um marciano. Nem o corpo do marciano estava lá”, disse.
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